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Tratamento para DMRI no SUS

Depois de muitos anos de luta, finalmente saiu a tão esperada incorporação do tratamento de DMRI (tipo úmida) no SUS e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para DMRI. O PCDT é um tipo de manual médico do SUS para determinada doença, onde estão descritos os critérios e a metodologia que deve ser empregada pelos médicos e profissionais de saúde para diagnóstico, tratamento, controle e acompanhamento de cada doença. Isso significa uma grande conquista para os pacientes com DMRI.

O medicamento incorporado pelo Ministério da Saúde é o Avastin® do laboratório Roche,um medicamento que foi desenvolvido para uso oncológico e seu uso para o tratamento de DMRI é off label, ou seja não está indicado na bula. A aprovação pela ANVISA para esse uso, off label, é excepcional, de caráter temporário e disponibilizado somente no âmbito do SUS,  conforme RDC nº111/2016. Para o tratamento da DMRI esse medicamento deverá ser fracionado, seguindo as normas de fracionamento e boas práticas sanitárias que garantam a segurança do paciente e eficácia do medicamento.

Imagem ilustrativa. Vê-se um homem idoso tendo um dos olhos examinado por um médico. Apenas a mão do médico está visível. Está escrito: "Tratamento para DRMI no SUS" e há a Logo da Retina Brasil

Imagem ilustrativa. Vê-se um homem idoso tendo um dos olhos examinado por um médico. Apenas a mão do médico está visível. Está escrito: "Tratamento para DRMI no SUS" e há a Logo da Retina Brasil

A decisão de incorporação do Avastin® (bevacizumabe) foi tomada com base na recomendação da CONITEC, que levou em consideração aspectos como eficácia, acurácia, efetividade, segurança, e principalmente custo benefício do medicamento em comparação a outros medicamentos existentes. Os medicamentos desenvolvidos para o tratamento da DMRI tipos úmida, oEylea (Bayer) e oLucentis (Novartis) são aprovados pela ANVISA, porém não foram recomendados pela CONITEC que considerou não haver vantagem desses medicamentos com relação custo-efetividade em comparação ao Avastin®.

De acordo com o Ministério da Saúde, é obrigatória a cientificação do paciente dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso do Avastin® para o tratamento da DMRI.

Precisamos agora acompanhar o prazo de 180 dias contados a partir publicação do PCDT (19 de novembro de 2018), para que o SUS disponibilize o tratamento, além de estruturar a rede assistencial para fornecer e aplicar o tratamento de acordo com o estabelecido pelo PCDT.

A Retina Brasil, há anos, atua para que todos os medicamentos e exames disponíveis para prevenir,  diagnosticar, acompanhar e tratar as doenças degenerativas da retina sejam incorporados ao SUS. A decisão é fruto de muito empenho, sinaliza uma vitória e entendemos que ainda há muito a conquistar.

 

Informe-se melhor

O que é DMRI:

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda visual a partir dos 50 anos. Mais de três milhões de brasileiros são afetados por essa doença. A DMRI resulta de uma degeneração na mácula (área central da retina responsável pela visão central). A mácula é que permite a leitura, a identificação de detalhes e cores. Alguns dos sintomas iniciais da DMRI incluem embaçamento da visão ou percepção de que objetos e linhas estão “tortos”. Essas alterações podem, gradualmente, comprometer toda a visão central.

Tipos de DMRI

A DMRI pode se apresentar de duas maneiras diferentes: a seca e a úmida (ou exsudativa). A primeira é a mais comum, e causa vários graus de perda visual. É identificada pelo acúmulo de depósitos amarelados na mácula, conhecidos como drusas. Os sintomas podem incluir distorção de imagens e dificuldade de leitura. É muito importante que, nessa fase, o paciente busque ajuda médica e adote um estilo de vida saudável.

Já a segunda forma de DMRI, a úmida, aparece em 10 a 15% dos casos, e é a principal responsável por perdas visuais mais graves. Os vasos anormais que se desenvolvem nesse estágio podem gerar lesões na retina. Em casos avançados, manchas irreversíveis podem ser causadas por conta dos tecidos cicatriciais, que podem causar cegueira legal.

Importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce da DMRI é muito importante. É essencial que, após os 50 anos, as consultas ao oftalmologista com especialidade em retina aconteçam anualmente. Em alguns casos, a depender da duração da doença, a perda visual pode não ser recuperada, por isso, quanto antes a DMRI for descoberta e tratada melhor será a preservação da visão.

Se diagnosticada precocemente pelo oftalmologista, a DMRI úmida (ou exsudativa) possui tratamento que pode evitar a perda visual. O tratamento consiste no uso de injeções intraoculares que bloqueiam a molécula responsável pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais. Outros tratamentos que também podem ser utilizados são a cirurgia a laser e a terapia fotodinâmica.

Como prevenir

Algumas medidas são importantes para prevenir a DMRI! Entre elas, não fumar, adotar uma dieta com alimentos pouco gordurosos e rica em verduras, controlar o peso, a pressão arterial e os níveis de colesterol, usar óculos escuros para proteger os olhos da radiação solar e observar antecedentes de casos da doença na família.

O medicamento antiangiogênico:

Antiangiogênico é o termo usado para os medicamentos que inibem a angiogênese. Angiogênese, por sua vez, significa o crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos vasos já existentes. Um medicamento antiangiogênio, portanto inibe o crescimento de novos vasos sanguíneos. No caso da DMRI isso significa atuar para a estabilização da doença, uma vez que o dano na retina está relacionado ao crescimento disforme de vasos sanguíneos. Existem diferentes medicamentos com essa ação, e a Retina Brasil trabalha para  incorporação de todos os medicamentos no rol de procedimentos do SUS.

O exame OCT (Tomografia de Coerência Óptica)

O exame Tomografia de Coerência Óptica, conhecido como OCT ( a sigla em inglês) é um exame importante para o diagnóstico de doenças da retina e vítreo. Com o OCT é possível obter imagens com cores e de de alta resolução das diversas “camadas” do olho, são cortes transversais, que permitem analisar detalhadamente a retina e o vítreo do paciente, oferecendo diagnósticos mais precisos.

 

Fontes:

 

http://www.brasil.gov.br/noticias/saude/2019/01/doenca-que-leva-a-perda-de-visao-tem-novo-tratamento-na-rede-publica

 

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45064-sus-ofertara-novo-tratamento-para-denegeracao-macular

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/janeiro/08/PCDT-2018-Denegeracao-Macular-1.pdf

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A Retina Brasil é uma associação que apoia pacientes na busca de informação e tratamento para as doenças degenerativas da retina. Entidade filiada à Retina Internacional e à AMD Alliance.

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